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Sorte

"Seja grato por tudo!"   Essa foi umas das frases que mais ouvi em toda minha vida. Nunca entendi muito bem o conceito de ingratidão, em contrapartida; não sei se pela banalidade que a palavra tem (já que ela é usada em diversos contextos e xingamentos). Mas muito me fascinava a gratidão. Divina acima de tudo, a busca pela gratidão como meio de vida me instigava a procurar, a todo momento, motivos para ser grato: por acordar mais um dia com saúde, por ter algo que sempre quis, ou até mesmo por ter a oportunidade de ser grato. Mas nunca imaginei que, após tanto tempo buscando e exercendo a gratidão na terra, eu encontraria um motivo onde ela não precisava ser buscada. Era natural. E de maneira redundante, te agradeço. Sou grato por ser quem é. Sou grato por poder compartilhar a vida com você, nos bons e nos maus momentos. Sou grato por ter te conhecido e ter criado laços tão fortes e belos contigo. Sou grato a Deus por ter me permitido viver ao seu lado esse pouco tempo que
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Conformidade

A cada página que passa, o que tento encontrar, mais  distante me parece ficar.  As palavras embaralhadas sob meu olhar ficam cada  vez mais difíceis de decifrar.  O mar de autos, atos, credos e fatos se diferenciam entre si  Não pelo motivo, não pelo formato ou pelo que parece ser, mas pelo sentimento que encontra aqui dentro e que não dá para ver.  Mais estranho parece ficar a cada vez que tento cavar o que tanto quero alcançar  E a cegueira que não sei se vem de mim ou de outro ser, se é intencional ou só não me deixa ver Aquilo que supostamente iria transformar, melhorar, solucionar meu ser. Será ?  Se existe tanto essa solução, me questiono o porquê de ser tão difícil de atingir Por que não está escrita grifada, destacada, sublinhada, em caixa alta?  Ou será que está em uma língua que não consegue ser decifrada? No fim, não importa. E no mar que dentro de mim, e a cada dia mais, se enche e espaço não deixa Decido deixar que as linhas me guiem e a utópica solução se imerja.  João V

Pretérito (Im) Perfeito

Era tarde  de um dia claro e o sol já estava quase chegando no oriente. Tentava equilibrar em minhas mãos todas as responsabilidades das decisões que tomei. Quanto mais tempo se passava, mais meu coração se apertava. Suas batidas já não era melódicas como um ballet mas marcantes como o bumbo da Salgueiro. Decidi ir para casa e deixar o restante do trabalho pendente para o dia seguinte: ser seu próprio chefe tem suas vantagens, pensei. Meu telefone não parava de tocar mas não tive vontade de conversar com ninguém, já que não conseguia conter e entender meus próprios pensamentos.    Aplaquei, caminhei, cheguei.    Em casa, Sima, minha filhote de beagle, veio me receber e, esperando algo a mais,  aguardou em meus pés próximos à porta. Sentei ao chão ali mesmo e fiquei com ela por alguns minutos. Ela, sentindo o mesmo sentimento que eu, se deitou em meu colo na tentativa de me confortar. Infelizmente, o que faltava não poderia ser buscado como um brinquedo após ser lançado ao vento. Não po

Ioiô

Difíceis são os dias de uma pessoa sozinha Vazios são os momentos daquele que não tem ninguém O amor que se disponibiliza pelo mundo, não são todos que querem pegar E o amor que ofereço dentro de mim é difícil de se aceitar. Às vezes a solidão se diminui, com um momento de felicidade Mas ele logo se esvai, sem nem deixar um resto. Esse vai e vem se torna rotina, mas no final o vazio vence a briga E cansado de lutar, meu coração para em manifesto. Porém depois de tanto procurar, sem nem saber o que procurava Em meio a tanto caos, meu porto seguro ali estava. Um amor que escolhi sentir e que me encheu da esperança De que o ioiô em meu peito iria parar com sua dança. Grato sou por você, que me completou mesmo sem saber E que, mesmo estando longe, continua em meu ser. Sei que é exagero, mas me defendo com a licença de estar em uma poesia Muito obrigado por cortar a corda do meu ioiô, que eu achava que ninguém faria. João Vitor Gonçalves 

Inconsciente

Era tarde de uma terça feira monótona. Geralmente não saio de casa após as seis mas nesse dia algo me instigou a deixar minha cama e desbravar a noite fria e úmida de julho. O cheiro de flores dominava a rua em que ficava a pousada onde estava hospedado. Continuei andando em direção ao ponto boêmio da cidade sem saber muito bem o porquê. Ouvi uma banda que estava tocando minha música preferida da Tommy Tutane e tentei entrar no bar onde eles estavam mas fui barrado pela idade. Sabia que nenhum bar me deixaria entrar, mesmo faltando apenas cinco horas pra completar os tão esperados dezoito anos. Fiquei na porta do bar, sentado na calçada, cantarolando a música até acabar. Pensei em retornar para a pousada e dormir um sono profundo e induzido mas lembrei que a única condição dos meus pais terem deixado eu viajar sozinho era me divertir e não ficar o dia inteiro na biblioteca estadual (que fiz questão de ser a duas quadras de distância da pousada). Então continuei andando pelas ruas com n