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Desculpe-me

Azul, rosa, laranja e roxo. Eram as cores que se misturavam no céu durante o crepúsculo daquele dia. Nunca tinha visto um céu mais colorido e vibrante como naquela tarde de terça feira. Naquele parque inteiramente verde que parecia não ter fim, me via deitado na grama enquanto lembrava de tudo que me levava até ali. Olhei para o lado e vi um casal deitado abraçados em cima de um lençol branco com pequenas borboletas amarelas, tão delicadas que pareciam ter sido pintadas uma a uma. Me lembrei de meus pais, que durante todos os seus anos de casados nunca tiveram um momento de amor e carinho que eu havia presenciado. Acredito que o casamento infeliz deles acabou me deixando mais desacreditado com o amor. Enquanto o céu se tornava totalmente azul e todas as cores que antes tinham se fundem em apenas uma, me questiono o que um poeta escreveria desse momento em que me encontro. Não digo de textos satíricos e decadentes que se assemelham com a minha alma, como Gregório de Matos, mas nas idealizações que podem ser investidas dentro dessa cena. Mas bem... isso é uma coisa que nunca saberei. Como escrever sobre uma pessoa descrente no amor? Como fazer a história de alguém que nunca amou interessante? Será que só o ambiente salvaria o texto desse coitado que necessita de mim pra desenvolver uma história? Tenho certeza que ninguém leria esse triste relato. E se alguém lesse, só pediria desculpa pela desinteressante vida que tenho. 

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