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Aos Marotos


Me sinto feliz e realizado, mas o desespero habita em mim. Sempre fui uma pessoa alegre e alto astral, mas meu futuro me afligia. Uma angustia que só quem passa por momentos de tensão pré-vestibular compreende. Tive um momento de calmaria em meio a tanto caos interno que sofria.
Conheci três pedrinhas preciosas que por muito tempo tinha medo de chegar perto pra não as quebrar ou as machucar. Sempre havia observado de maneira distante essas preciosidades, mas nunca me aproximei porque acreditava que nenhuma pedra preciosa iria gostar de se relacionar com um pedaço quebrado de vidro. Porém, mesmo com todas as incertezas, nos aproximamos. Eu, sempre com cuidado para não as machucar com meus cacos, me senti acolhido como nunca sentira antes. Em uma semana me tornei íntimo das pedrinhas de uma forma que meses com outras pedras não se igualariam. Eu, sempre com borboletas no estômago como quem encontra seu primeiro amor, me abri e me doei a tal amizade. Hoje fiquei sabendo de duas das pedrinhas que elas gostaram do simples caco de vidro. Não acreditei quando recebi uma coruja com esse recado. A felicidade estourava em meu peito e as lágrimas encheram meus olhos a cada palavra que ouvia eles dizerem.
As incontáveis lágrimas que caem dos meus olhos enquanto eu escrevo não são de tristeza ou de angústia, mas sim de gratidão, pois o caco, mesmo sendo simples e cuidadoso, foi acolhido pelas pedras. As pedras podem não acreditar, mas o caco de vidro é muito grato a elas por tudo que, mesmo sem saberem, contribuíram para o crescimento do caco.
Nunca esperei fazer diferença na vida das preciosas pedras, mas elas com certeza mudaram a vida do caco como ele nunca havia sentido antes.
O simples caco agradece.
João Vitor Gonçalves

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